Saiba como utilizar corretamente os
freios dotados de ABS
O sistema de freios antitravamento
conhecido como ABS (Anti-lock Braking System) é um dos recursos mais
importantes para a segurança, tanto do motociclista quanto do motorista de um
carro.
Boa parte das colisões acontece por uso
indevido dos freios de um veículo. Assim que as estatísticas apontaram para
esse lado, a indústria automotiva tratou de inventar um sistema que ajudasse o
motorista – e logo depois também o motociclista – no momento de uma frenagem
emergencial. Nessa circunstância, ficou patente que a maioria dos motoristas e
motociclistas não conseguia produzir uma frenagem de máximo desempenho (1) no
momento de uma emergência, tendendo a exercer pressão demasiada nos comandos
operacionais, resultando em travamento das rodas. No caso dos carros, o
resultado era deslizamento inercial na direção que o carro se encontrava quando
os freios foram aplicados. No caso das motos, quase sempre o resultado era a
queda por conta do travamento da roda dianteira.
O sistema ABS foi desenhado para evitar
esse travamento permitindo que o usuário do veículo mantenha o controle
direcional por não travar as rodas durante o processo de frenagem. Se ganha,
assim, a possibilidade de manobrar e eventualmente não colidir com um obstáculo.
Como
funciona
De maneira genérica, o sistema funciona
combinando sensores e válvulas para não permitir que uma roda perca o
movimento. Um sensor apontado para um disco raiado fixo à roda faz a leitura da
rotação, buscando variações de velocidade significativas. Assim que detecta uma
brusca mudança de velocidade da roda, o sistema passa a liberar a pressão
excedente exercida no comando do freio, evitando assim o travamento daquela
roda. A sensação que se tem, tanto no pedal de freio quanto no manete é de
certa pulsação – promovida pela abertura e fechamento das válvulas que liberam
a pressão hidráulica excedente.
Processamento
O ABS transformou a vida de motoristas e
motociclistas, pois quedas ou colisões por mau uso dos freios praticamente
deixaram de existir em veículos dotados com o sistema. Mas nem tudo são flores,
e como toda nova tecnologia, está sujeita a falhas, o ABS também teve as suas.
Os primeiros utilizavam processadores muito lentos, que interferiam na frenagem
fora do compasso necessário, causando mais riscos que benefícios durante as
freadas. Outros iniciavam seu funcionamento bem antes da iminência de
travamento, subutilizando os recursos de aderência dos pneus.
Os sistemas mais modernos corrigiram boa
parte dessas falhas, mas ainda assim, o ABS precisa ser usado de forma adequada
para se obter os melhores resultados. Veja como:
Como
proceder
O momento mais delicado na operação de
frenagem é o momento inicial – quando o respectivo comando é acionado. Como as
frenagens emergenciais se apresentam sempre com ausência de tempo, a tendência
do usuário é responder prontamente em um movimento quase sempre brusco no
comando. A falta de delicadeza nesse momento inicial combinada à pressão
exercida é o motivo do travamento da roda, na maioria dos casos. No caso do
ABS, a prematura ação do sistema. É preciso, então, que esse momento inicial do
processo de frenagem seja suavizado, para que as pastilhas obtenham o contato
com o disco de maneira menos brusca, evitando o “pinçamento” do disco, que
acarretaria no travamento daquela roda. Isso é obtido com o manuseio mais
cuidadoso e ponderado do respectivo comando, cobrindo primeiro a folga que
compreende entre a posição de descanso e a de frenagem, do manete ou pedal.
Assim que se encontra maior resistência no comando é quando a frenagem está de
fato se inicializando. Nesse momento, a pressão deve ser intensificada, e
progressivamente incrementada, mas sem ser brusca.
Se durante a frenagem o ABS começar a
funcionar, indica que a pressão exercida no comando é excessiva. Nesse momento,
o usuário pode aliviar um pouco a pressão no comando, retomando-a logo em
seguida, de forma a modular a intensidade exercida. Na maioria das instâncias é
obtida uma excelente frenagem com equilíbrio e pouca distância percorrida.
Também é importante notar que a ação
requer que em determinado momento a atenção sobre o comando do freio seja
desviada para a ação necessária no guidão, ou volante, no caso do carro.
Durante a frenagem deve-se exercer a capacidade gerada para a mudança de
trajetória, ganhando a oportunidade de evitar o obstáculo causador da frenagem.
Atenção!
Como todo sistema passivo – aquele que
requer a ação do usuário – o ABS também pode se enganar ou ser induzido ao erro
por diferentes circunstâncias. É preciso estar atento a esses eventos especiais
para poder contrapor-se em momento apropriado.
Como a atuação do ABS depende da leitura
de velocidade das rodas, nota-se, obviamente, que o terreno percorrido tem o
poder de influenciar o sistema. Terrenos ondulados, ou de alguma maneira
disformes, podem promover pequenas variações na velocidade que as rodas têm
quando estão passando pela imperfeição. Essa diferença pode ser interpretada
como perda de tração, prontificando o sistema para uso. Assim que o manete ou
pedal é manuseado, mesmo que delicadamente, o sistema já está atuando, e dessa
forma, realizando uma tarefa que naquele instante é desnecessária ou
indesejada. Apenas a experimentação em diversas circunstâncias pode educar o
usuário quanto ao funcionamento do ABS em seu veículo. Deve-se experimentar
frenagens em aclive, declive, terrenos ondulados e instáveis – como terra
batida, por exemplo. Para se exercitar, certifique-se de não oferecer qualquer
tipo de risco a outros usuários da via. Pessoas que por ventura vejam seu
treinamento podem interpretar equivocadamente seus atos gerando risco, tanto
para você, quanto para si mesmas. Reserve essa experimentação para ocasiões
quando pode ter relativa certeza de não afetar outros ou o meio onde opera. Mas
de maneira alguma deixe de fazê-lo. Pode em alguma instância ser confrontado
com uma situação que potencialmente não oferece risco, mas por interpretação errada
do sistema, lhe assustar na hora do manuseio do freio, e o susto, gerar risco
de colisão ou queda.
Experimente sempre o freio traseiro
primeiro, uma vez que essa roda tem tendência ao travamento mais cedo que a
dianteira, na mesma circunstância. Dessa forma poderá verificar o funcionamento
do ABS e se educar quanto a diferentes terrenos e condições – e como eles
afetam o funcionamento desse dispositivo. Bom treino!
(1) - Frenagem de máximo desempenho é aquela onde
todos os recursos são utilizados em seu máximo para promover a frenagem no
menor espaço e tempo possíveis.
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